A reduzida precisão do conceito de desenvolvimento sustentável

Ressalvamos aqui que o conceito de desenvolvimento sustentável é empregado como uma peça da estrutura conceitual usada para classificar correntes de pensamento da economia do meio ambiente, e não porque consideramos viável a implementação do desenvolvimento sustentável. São evidentes os enormes obstáculos técnicos e, de forma especial, políticos para tornar realidade o paradigma.

Nesse sentido, há um ponto que merece ser ressaltado: a aderência que se observa, na opinião pública, ao conceito de desenvolvimento sustentável reside em sua simplicidade e no fato de que quase todos concordam com seus grandes objetivos. Quem não vê com simpatia a combinação da eficiência com a eqüidade e a defesa do meio ambiente, especialmente quando não se explicitam os custos e a viabilidade disso tudo? Conforme ressalta Lélé (1991, p. 613):

“O desenvolvimento sustentável é um “meta-arranjo” que une a todos, do industrial preocupado com seus lucros ao agricultor de subsistência minimizador de riscos, ao assistente social ligado ao objetivo de maior eqüidade, ao primeiro-mundista preocupado com a poluição ou com a preservação da vida selvagem, ao formulador de políticas que procura maximizar o crescimento, ao burocrata orientado por objetivos e, portanto, ao político interessado em cooptar eleitores.”

Na verdade, a noção de desenvolvimento sustentável está muito próxima do critério de eficiência de Pareto * da análise econômica. Isso porque ele admite que muitos podem ganhar, mas exige que ninguém perca – nem os atuais ricos, nem os atuais pobres e nem as gerações futuras. O relatório da Comissão (Mundial do Meio Ambiente e Desenvolvimento – 1987) mostra, entretanto, que os atuais padrões de crescimento não são sustentáveis, requerendo enérgica implementação de mudanças drásticas para corrigir esse estado de coisas. A dúvida que surge, porém, é: será razoável esperar que tais mudanças sejam Pareto-eficientes? Será válido supor que, mesmo que tais mudanças originem uma legião de ganhadores, seja possível evitar que muitos tenham consideráveis perdas?

Certamente, uma maior compreensão da natureza dos custos e dos sacrifícios envolvidos traria considerável redução do apoio ao critério do desenvolvimento sustentável. Esta, também, é uma razão para se deixar vago o conceito.

Trata-se de critério para determinar se uma dada alteração 
na sociedade é ou não desejável, em termos de ampliação de 
bem-estar dos indivíduos em sociedade. Uma mudança dessas é 
desejável, segundo o critério de Pareto, se provocar um aumento 
na satisfação de pelo menos um indivíduo na sociedade, sem 
piorar a situação de nenhum outro indivíduo. Esse critério 
é amplamente usado pela teoria do bem-estar social e por suas 
aplicações (p. ex., a análise custo-benefício).

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Fonte:

Mueller, Charles C. “Os economistas e as relações entre o sistema econômico e o meio ambiente”.

Brasília: Editora Universidade de Brasília: Finatec: 2007

2 Comentários

  1. Jane said,

    maio 22, 2009 às 2:10 pm

    A imagem pode ser usada como símbolo da Semana do Meio Ambiente?


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